Rio de Leite

Histórico

03 Maio 2013  Imprimir 

A primeira iniciativa dos professores da UEMS, André Rozemberg Peixoto Simões e Marcus Vinicius Morais de Oliveira, em solucionar parte do problema da Cadeia Produtiva do Leite foi efetuada em 2004, com a capacitação de alunos do Curso Técnico em Agropecuária e dos Cursos de Graduação em Zootecnia e Agronomia com simultânea difusão de tecnologias, por meio de palestras ministradas pelos próprios alunos sob supervisão dos professores, à produtores de leite da região de Aquidauana e Anastácio. No ano de 2005, foi idealizada uma forma de atuação por meio de um projeto de extensão que envolvesse acadêmicos dos cursos de Zootecnia e Agronomia da UEMS. A idéia central era fazer com que os alunos se capacitassem e ao mesmo tempo transferissem sistematicamente as tecnologias geradas dentro da Universidade aos produtores que tivessem o perfil para inovações tecnológicas na região de Aquidauana e Anastácio. Mais tarde, esta proposta foi identificada como sendo pioneira no Estado.

Com o amadurecimento desta idéia, foi encaminhada para Pró-reitoria de Extensão da UEMS (PROEC) em 2006, uma proposta de Programa de Extensão. Em outubro deste ano, foi aprovado pela PROEC o Programa de Capacitação Técnica Aplicada à Pecuária Leiteira - PCTA-PL e seus respectivos sub-projetos: 

  • Aprendizagem Direcionada a Bovinocultura de Leite - Nível I
  • Aprendizagem Direcionada a Bovinocultura de Leite - Nível II
  • Desenvolvimento da pecuária leiteira da região de Aquidauana e Anastácio.

As características específicas deste projeto fazem com que o mesmo tenha um caráter permanente.
Por ser uma proposta inovadora e que iniciou indiretamente um trabalho de reconhecimento da UEMS na comunidade local, muitas barreias e dificuldades foram encontradas no primeiro ano de trabalho (final de 2006 e ano de 2007). Além da exigüidade de recursos para execução (principalmente logística), outro grande empecilho para o andamento mais acelerado das atividades foi a resistência e a desconfiança encontrada nos produtores às inovações tecnológicas propostas.

Essa resistência do produtores é plausível de compreensão, já que em muitos momentos da historia do desenvolvimento rural do país, o pequeno e médio produtor rural esteve no foco das políticas públicas, entretanto, estas políticas sempre se caracterizaram por serem descontinuadas e pontuais, gerando assim constantes expectativas e sucessivas decepções com os instrumentos públicos de desenvolvimento rural.

Considerando este contexto, quando a proposta inicial do Programa foi apresentada ao primeiro grupo de produtores que iniciaram os trabalhos, notou-se claramente certo receio da proposta de trabalho e com as reais intenções do Programa.

A escolha dos 4 primeiros produtores para trabalhar de forma piloto no Programa foi feita por indicação de um zootecnista que conhecia a realidade de cada um deles e que acreditou que o trabalho pudesse dar certo em suas propriedades.

Com o início dos trabalhos, os produtores se mostraram relativamente animados com as ações propostas, entretanto, diversos problemas de várias naturezas foram ocorrendo a medida que as inovações tecnológicas deveriam ser implantadas. Esses problemas, e muitas vezes os empecilhos criados pelos próprios produtores, fizeram com que algumas propriedades fossem substituídas por outras que demonstraram maior interesse.

Dentre os principais problemas que mais prejudicaram o andamento dos trabalhos e que levaram a substituição de alguns produtores no primeiro ano, pode-se relatar:

  1. produtores que não tinham o perfil para produção de leite;
  2. resistência a inovação tecnológica;
  3. desconfiança sobre novas tecnologias;
  4. cultura e vínculo com tecnologias de produção de gado de corte muito forte;
  5. desconfiança sobre a instituição-UEMS;
  6. receio de não dar certo;
  7. produtores que não moravam nas propriedades rurais e não dependiam dela para sobreviver;
  8. produtores que não tinham família estruturada residindo na propriedade.

Os aspectos positivos destas dificuldades foi que os professores coordenadores do Programa, puderam identificar o perfil dos produtores que não se adaptaram ao sistema apregoado e, atualmente, baseados na experiência adquirida, somente são admitidos produtores que realmente dependem da atividade leiteira para o sustento da família, que residem na propriedade e que está disposta a promover inovações tecnológicas em sua propriedade.

Depois de aproximadamente um ano de trabalho com esse grupo inicial de produtores o qual o Programa foi "oferecido", o processo se inverteu, ou seja, os produtores circunvizinhos começaram a ver as inovações nestas propriedades e tomaram a iniciativa de procurar a UEMS para conhecer a proposta e ingressar no Programa. Este processo de inversão tem sido fundamental no processo de admissão de novos participantes e pelo sucesso destes na permanência na atividade.

No final de 2007, a demanda de novos produtores que queriam ingressar já era maior do que a capacidade de atendimento do Programa. Novos recursos financeiros e humanos eram necessários para continuidade e expansão das atividades. Então, foram idealizadas pelos coordenadores, algumas alternativas de continuidade e expansão do Programa:

  • Admitir mais estagiários bolsistas;
  • Aumentar no número de produtores atendidos;
  • Contratar técnicos capacitados (veterinário, zootecnista e agrônomo) para dar apoio no campo aos estagiários. Estes técnicos poderiam também atender mais propriedades que tivessem interesse em participar, porém, sem o acompanhamento de alunos;
  • Formar parcerias com prefeituras para viabilizar o transporte (combustível) dos técnicos;
  • Ter uma sede de trabalho com estrutura de secretaria;
  • Estabelecer uma estratégia de agregação de valor ao leite dentro da propriedade;
  • Realização de mais eventos de capacitação e de troca de informações;
  • Conseguir novos aportes financeiros e parcerias para a continuidade do Programa.

Assim, com o amadurecimento destas propostas de expansão, foi encaminhado um projeto ao edital MCT/CNPq/MDA/SAF/MDS/SESAN - Nº 36/2007 - Seleção Pública de Propostas para Apoio a Projetos de Extensão Tecnológica Inovadora para Agricultura Familiar. É importante ressaltar que este foi o primeiro edital desta natureza lançado pelo CNPq.

O recurso de custeio foi usado para compra de materiais de consumo de escritório e de divulgação, bem como, para contratação de serviço de terceiros para ministrar cursos de capacitação em processamento de leite aos produtores participantes. O item capital possibilitou a compra de alguns equipamentos para análise da qualidade do leite e de derivados e adequação de algumas bancadas do mini-laticínio escola da UEMS de Aquidauana. O item bolsas permitiu contratar dois bolsistas de nível superior (médico veterinário e engenheiro agrônomo) com experiência para integrar a equipe de trabalho durante 30 meses. Com estes recursos, o Programa tomou novo fôlego e pode por em prática a estratégia de expansão do número de propriedades assistidas. Uma das ações realizada nesta nova etapa foi a criação de uma identidade fantasia para o PCTA-PL.

Com os recursos aportados pelo CNPq, pôde-se iniciar também, a realização de capacitações (cursos) dos produtores em processamento de derivados lácteos. Esta ação objetiva proporcionar a agregação de valor da matéria prima na própria propriedade rural, reduzindo assim, a dependência de venda do leite para os laticínios na forma tradicional e também da informalidade de comercialização do leite in natura.

Dentre os novos aportes financeiros conseguidos nesta nova etapa (2008), destacam-se os apoios dados pelas Prefeituras Municipais de Aquidauana e Anastácio que celebraram convênio de cooperação mútua com a UEMS a fim de auxiliar o desenvolvimento do projeto. Os principais apoios concedidos nestes convênios foram o combustível para os técnicos se deslocarem (200 litros/mês de cada prefeitura) e a disponibilização de um espaço pela Prefeitura de Anastácio para sediar o Programa (uma sala com internet, telefone e móveis para escritório).

O programa Rio de Leite é uma ação de Extensão da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul executado no formato de Programa de Extensão Universitária. Além do seu cadastramento na sua Pró-reitoria de Extensão, o Programa conta com outras ações e projetos que complementam suas atividades.

Programa Rio de Leite é cadastrado nesta Pró-reitoria com o nome de Programa de Capacitação Técnica Aplicada a Pecuária Leiteira PCTA-PL e seu funcionamento se dá pela execução de três projetos acessórios vinculados: 

  1. Capacitação Técnica Aplicada a Pecuária Leiteira;
  2. Grupo de Estudo em Bovinocultura Leiteira - GEBOL;
  3. Desenvolvimento da Pecuária Leiteira da Região de Aquidauana e Anastácio.

Estes três projetos constituem as diferentes fases de treinamento que os acadêmicos devem passar para completar a capacitação.

Para garantir a continuidade do trabalho, o Programa Rio de Leite vem se mantendo por meio de aprovações de projetos em editais lançados pelo Governo Federal. Nos últimos anos destacam-se:

  • Chamada Pública MCT/FINEP/CT-INFRA PROINFRA 01/2006.
  • Edital MCT/CNPq/MDA/SAF/MDS/SESAN- Nº 36/2007 – Seleção Pública de Propostas para Apoio a Projetos de Extensão Tecnológica Inovadora para Agricultura Familiar.
  • Edital MCT/CNPq/MDA/SAF/Dater N º 033/2009 - Seleção Pública de Propostas para Apoio a Projetos de desenvolvimento científico e tecnológico do País, no tocante a projetos de pesquisa em experiências inovadoras no ensino, aprendizagem e intervenção em extensão rural.
  • Chamada Pública MCT/FINEP/AT 1/2009 Tecnologias para o Desenvolvimento Social.
  • Edital nº6/2009 MEC Programa de Extensão Universitária PROEXT 2009 – MEC/SESu.
  • Edital nº4/2011 MEC Programa de Extensão Universitária PROEXT 2011 – MEC/SESu.

Em 2011, o Programa Rio de Leite expandiu suas fronteiras para atender novos municípios, Bela Vista, Guia Lopes da Laguna, Sidrolândia e Nioaque. Em cada um deles foi alocado um técnico de nível superior para prestar assistência técnica a cerca de 30 propriedade, totalizando assim aproximadamente 150 propriedades leiteiras beneficiadas com inovações tecnológicas.

  • Riodeleite

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